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Como formar comunidades acolhedoras

01/07/2011

 COMO FORMAR COMUNIDADES ACOLHEDORAS? 

1 .CULTIVAR A BONDADE

As pessoas que permanecem em nossas lembranças nem sempre são aquelas que nos disseram coisas importantes, mas são aquelas que nos acolheram com carinho e nos trataram bem quando com elas pudemos conviver.

 

A bondade é uma atitude que brota do coração de quem cultiva o amor. Só quem ama consegue ser bom. Portanto, a bondade é o reflexo da presença de Deus.

 

Em nosso propósito de trabalhar a acolhida em nossas comunidades não podemos nos esquecer de refletir sobre a maneira de Jesus de ser e agir, aprendendo com Ele a ser presença de Deus em nossas comunidades. Sem encontrar uma maneira de nos deixarmos inundar por esse amor de Cristo, não adiantariam técnicas de acolhimento ou de gestão por competências em nossas comunidades. Sem a presença do Espírito Santo em nossas vidas, sem o cultivo do amor e da bondade, a Igreja deixaria de ser a família de Deus e certamente não existiria mais.

 

O amor de Deus por nós é um amor gratuito. “Deus nos amou primeiro” (1Jo 4, 19). Nossa preocupação agora é como conhecer, como acolher e experimentar esse amor incondicional que nos é oferecido. Como deixar-nos amar por Deus? Sentir-se amado por Ele pode ser o início de uma vida nova para muitas pessoas! E quem vai revelar-lhes esse amor? Deus já deu o primeiro passo. Ele nos amou primeiro e se oferece para estar sempre conosco! Esse amor que Deus nos oferece pela sua Palavra, pelos sacramentos, pela presença dos irmãos na comunidade, pela solidariedade fraterna, desperta em nós o desejo de fazer esse amor circular. Não podemos ficar apenas recebendo. Cada pessoa poderá descobrir a alegria de servir, na medida em que se dispuser a ajudar mais na comunidade, sentindo-se um canal privilegiado da bondade de Deus, que manifestará o amor aos irmãos através de quem se dispõe a servir a Deus e aos irmãos com amor e alegria.

2. TER NO CORAÇÃO OS MESMOS SENTIMENTOS DE CRISTO

Nossas comunidades são formadas por pessoas passíveis de erros e de falhas. E cada um pode perguntar-se se está sendo para os outros um facho de luz que ilumina o caminho para Deus, ou se está sendo uma vidraça embaçada que dificulta enxergar Deus através de sua presença?! Sabemos que a graça de Deus pode conduzir nossa vida e nossas ações, mas corremos o risco de deixar nossa vontade sobrepor-se à vontade de Deus e aí, ao invés de ajudar nossa comunidade a ser melhor, acabamos sendo pedras de tropeço para os irmãos.

 

Quando tomamos consciência de que estamos servindo a Deus na pessoa dos irmãos, nossas atitudes são transformadas. Passamos a dar o melhor de nós mesmos em cada palavra, em cada gesto, sempre com um alegre sorriso. Olhamos para cada pessoa com mais ternura, acolhemos com mais bondade e dedicação. E isso é válido não só para o atendimento e acolhimento na igreja, mas em todos os lugares, no trabalho, na escola, na rua.

 

O acolhimento cristão é diferenciado, deve ser uma atitude que brota do coração. Certamente não podemos esperar encontrar santos ou anjos que façam esse serviço na comunidade. É contando com pessoas, com qualidades e defeitos, que vamos nos organizando, avaliando, retomando sempre o caminho.

 

De nossos olhos e de nossa boca sempre transbordam os sentimentos que cultivamos interiormente. Por isso, é tão importante ter no coração os mesmos sentimentos de Cristo, o nosso Senhor.

3. DEIXAR-SE GUIAR PELO ESPÍRITO SANTO

Especialmente para as pessoas que exercem alguma atividade na Igreja, particularmente para quem deseja trabalhar numa equipe de acolhimento, é indispensável fazer do verdadeiro amor a força que move a própria vida. Poderemos enfrentar incompreensões, mas permaneceremos firmes. Poderemos ser criticados, mas sabemos em quem colocamos nossa confiança. Poderemos dizer como São Paulo: “O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo tolera, o amor nunca acabará” (1Cor 13, 7-8).

 

Quanto mais a pessoa mergulha no mistério de Deus, mais ela se plenifica no amor, mais disponível estará para amar e servir com generosidade e alegria. Porém, mesmo com nossas limitações e em nossa fragilidade, queremos responder de maneira positiva ao convite que Deus nos faz. Queremos servir a Deus na pessoa de nossos irmãos. Queremos repartir o amor, mesmo que ele ainda seja pequeno em nosso coração.

 

Dentro do propósito que nos colocamos, pensar e planejar a acolhida em nossas comunidades, vamos encontrando nessas reflexões gotas de otimismo que vão alimentando nossa generosidade. Nunca estaremos devidamente preparados. Vamos aprendendo fazendo o caminho. É claro, com o olhar voltado para a frente e para o alto, dando passos concretos, sem perder vista o ideal almejado. Se não conseguimos fazer bem todas as coisas podemos, pelos menos, fazer bem o pouco que estiver ao nosso alcance. O que conta aos olhos de Deus é a generosidade com que fazemos as coisas e não a quantidade de obras que realizamos. Toda grande árvore, um dia, foi uma pequena semente.

 

Quem trabalha no atendimento de pessoas, seja o padre, seja a secretária, seja quem está distribuindo folhetos na porta da igreja, ou em qualquer atividade, ao sentir que a paciência está se esgotando, deve sair um pouco. Não dê oportunidade para o mal. Vá descansar, respirar fundo, rezar, e depois de refeita a harmonia no coração retome à sua atividade. No relacionamento com as pessoas, deixe que o Espírito Santo inspire suas palavras, conduza suas ações e assim você estará vivificando o bem, para a glória de Deus e a felicidade dos irmãos.

4. TER SERENIDADE PARA OUVIR

O primeiro passo para a acolhida é a disposição para ouvir, com atenção e carinho, a pessoa que nos procura.

5. RESTAURAR O PRIMEIRO AMOR

Esse amor primeiro, amor que se renova pela oração, pela Eucaristia, pela meditação da Sagrada Escritura, dá sentido à nossa vida e gosto de viver e trabalhar em comunidade. Quando nos distanciamos desse primeiro amor, sentimos a vida vazia e a comunidade torna-se apenas um aglomerado de pessoas, que pode até dizer que crê em Jesus Cristo, mas não sente mais a ação do Espírito Santo unificador.

 

Ser cristão não é apenas acreditar em Cristo. Ser cristão é pertencer a uma comunidade que pelo menos tenta seguir os ensinamentos de Cristo, percorrendo o caminho do amor que Ele trilhou primeiro: Amor-doação. Amor que nos move a fazer pelos irmãos pelo menos um pouquinho do que Deus faz por nós. Onde existe uma comunidade que cultiva a fé e vive o amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, o Espírito Santo continua a soprar, fazendo florescer a vida e a beleza de ser de Deus.

 

É preciso enxergar a realidade de nossas comunidades, tendo forças para transformar o que pode ser transformado e serenidade para conviver com aquilo que não depende só de nosso esforço para ser melhor.

 

Uns enxergam a realidade e ficam lamentando o que está errado. Há pessoas que gastam tempo e palavras para criticar os erros da Igreja, para realçar a falta de coerência daqueles que estão à frente de alguma atividade na comunidade. Mas essa atitude de lamentar o que está errado em nada ajuda a vida a ser melhor.

 

Outros enxergam a realidade com suas limitações e anseios, e alimentam sonhos com o que pode ser melhorado. É com esses que podemos contar para iniciar um processo de transformação evangelizadora.

6. FORMAR GRUPOS DE CRESCIMENTO

Três elementos fundamentais: 1- A Palavra de Deus; 2- As orientações da Igreja e 3- As necessidades da comunidade

 

O bom acolhimento é o primeiro passo para a integração de uma pessoa na comunidade: “Importante também é ressaltar que as pessoas não buscam em primeiro lugar as doutrinas, mas o encontro pessoal, o relacionamento solidário e fraterno, a acolhida.

 

Alguns questionamentos poderão ajudar-nos a detectar as situações que clamam por uma melhor acolhida: Como estão sendo acolhidos os pais e padrinhos que procuram a comunidade para a celebração do Batismo? Como está o relacionamento da comunidade com os pais das crianças que estão se preparando para a primeira comunhão? Como estão sendo atendidos os doentes? Qual o apoio que as famílias enlutadas estão recebendo da comunidade? Como são tratados os pobres que procuram ajuda? Como recebemos as pessoas que mudaram recentemente para nosso bairro e que procuram a nossa comunidade? Como está a participação nas celebrações?

 

Ao diagnosticar os problemas da comunidade, devemos tomar todo o cuidado para não cair em tentação de exigir primeiro a mudança dos outros. Temos mais facilidade para descobrir as falhas dos outros do que as nossas. É fácil dizer aos outros o que devem fazer, mas é difícil tomar atitudes concretas com aquilo que depende de nós. Quando queremos mudar as coisas, devemos começar mudando nossa maneira de agir. Quando conseguimos mostrar uma nova maneira de agir, as outras pessoas poderão seguir nosso exemplo.

 

A boa acolhida não deveria ser coisa nova, mas exige mudanças que criam novidades. Como novidade, pode gerar insegurança em alguns e esperança em outros. É preciso ser perseverante e alimentar a esperança para fortalecer o grupo que deseja implantar esse novo mundo de ser na comunidade.

 

A pessoa acolhida sente-se bem integrada na celebração, ficando mais receptiva e aberta às mensagens contidas nos ritos e palavras da liturgia.

 (Texto extraído do livro Acolhida: Como formar comunidade acolhedoras, Padre Vicente André de Oliveira, Editora Santuário). 

Diego Rodrigo dos Santos

Paróquia São Francisco de Assis - Araras / SP

Diocese de Limeira

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