Avisos Paroquiais
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Em Jesus, a salvação é oferecida a todos e todas

10/01/2012

08/01/2012

  FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

  Is 60, 1 -6/ Sl 71 (72)/ Ef 3, 2 -3a. 5 – 6/ Mt 2, 1 – 12

  TEMA: “EM JESUS, A SALVAÇÃO É OFERECIDA A TODOS E TODAS”.

 

“Ô de casa, ô de fora! Maria vai ver quem é!” Todos nós conhecemos estas primeiras linhas da cantiga de reis. Em muitos lugares do Brasil, nesta época do Natal acontecem as folias de reis, percorrem presépios visitando o Menino-Deus nascido.  O costume das folias de reis veio para o Brasil com os portugueses. Sua origem tem a ver com o anúncio feliz, de porta em porta, do nascimento de Jesus. 

A festa de hoje conhecida como a FESTA DA EPIFANIA é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. No fundo essa é a expectativa de Deus que transparece toda a Bíblia. Mas é em Jesus que ela toma corpo e forma, aparecendo como proposta oferecida a todos e todas. Contudo, a ganância e o desejo de poder, presente no Herodes do tempo de Jesus e nos Herodes de todos os tempos, tentam sufocar essa esperança. Porém, os homens e as mulheres de boa vontade tem uma “ESTRELA”, não cessam de “SONHAR” um caminho alternativo, que não passa pelos poderosos, mas nasce do menino-pastor e pobre. Essa caminhada é cheia de dificuldades, mas é  Deus quem ilumina, gerando forças e vida nova.

Deus sustenta a caminhada da comunidade (Is 60,1-6): O texto se refere à cidade de Jerusalém, embora seu nome não seja mencionado. A situação da cidade é desanimadora. Estamos no período do pós-exílio, onde tudo está para ser feito. Se o exílio é difícil, a saída dele e a reconstrução do país foram marcadas por grandes dificuldades, por falta recursos e pela dominação estrangeira (Império Persa) que não permite a organização política dos que retornaram, além de impor pesados impostos.

O papel do Profeta Isaías é suscitar ânimo e esperança. Javé é como um marido apaixonado que deseja todo o bem à sua amada (Jerusalém), ele é luz e permite à cidade participar dessa luz. O Profeta convida a cidade a levantar-se de sua prostração e resplandecer (v.1). Enquanto no mundo inteiro só há trevas, Jerusalém é só luz e esplendor (vv.1-3). O sol, não nasce mais no oriente, mas em Jerusalém, porque Javé, com sua presença, é o próprio esplendor da cidade da paz (Ap 22,5).

O v. 4 o Profeta convida novamente a cidade-esposa a se levantar e contemplar a romaria que a ela se dirige. A cidade-esposa tornou-se mãe, cujos filhos e filhas são reconhecidos  e reconhecidas entre todos os povos.

A procissão dos que trazem presentes vem proclamando louvores de Javé. E os dons (incenso e ouro), (vv. 5-6).

O Profeta Isaías oferece algumas orientações pastorais: A comunidade que, com esforço, luta para reconstruir o projeto de Deus, precisa se levantar porque o próprio Deus é quem sustenta a caminhada da comunidade.

Sabemos que esse ideal não se concretizou em Jerusalém (Evangelho), pois recusou o Salvador. Podemos perguntar qual é essa cidade-esposa que fala o Profeta Isaías? Será que não da nossa comunidade que Profeta Isaías está falando? Essa que pertencemos?  A Judéia continuou e continua dependente dos impérios estrangeiros, sustentando com suor e sangue o luxo e os caprichos dos poderosos. O Novo Testamento, na pessoa de Jesus, irá propor o Reino de Deus como alternativa contra os imperialismos que esmagam a vida do povo.

Como se posicionar diante de Jesus?  (Mt 2,1-12): Os capítulos 1 e 2 de Mateus são a porta de entrada do Evangelho e podem ser resumidos numa frase: “Jesus é o Rei que vai fazer justiça”. O capítulo 2 de Mateus quer mostrar a missão de Jesus, essa missão consiste em salvar os pagãos representado pelos reis magos. O texto do Evangelho de hoje tem duas partes: vv. 1 – 5 e vv. 7 – 12. O v. 6, é uma mistura de duas citações bíblicas, é como um eixo em torno da qual se movem as duas partes: “E tu Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo”.

O v. 1 põe em cena as principais personagens do drama. Jesus contra o rei Herodes; Belém contra Jerusalém:

A primeira parte do texto de hoje (vv. 1 – 5):

 O verdadeiro rei dos Judeus não é violento (assassino), prepotente e politiqueiro Herodes. A sede desse poder está em Jerusalém, onde o poder religioso ( chefes dos sacerdotes e escribas do povo, v.4) contemporiza com Herodes, servindo-lhe de suporte ideológico. Herodes e a cidade inteira se agitam com o anuncio do novo rei. (1Rs 1, 41).

 O verdadeiro rei dos Judeus é um recém-nascido (v. 2.4.8.9.11), que tem suas raízes no poder popular alternativo que se forma a partir descontentamento e das necessidades básicas do povo. Mateus mostra que salvação não vem de Jerusalém, onde está o tirano Herodes, mas de Belém (vv.1.5.6.8). O v.6, mostra que os chefes dos sacerdotes e dos doutores da lei, reúne dois textos bíblicos: Mq 5,1 e 2Sm 5,2, situando em Belém o nascimento do rei dos Judeus: “Ele será o chefe que apascentará o povo de Israel. (Belém, periferia de Jerusalém – Belém era uma aldeia a 8Km ao sul de Jerusalém). O líder que sairá de ti, vai ser o Pastor que defenderá o povo (ovelha) da ganância dos exploradores (lobos).

 O verdadeiro adoradores, descobre que a salvação não pode vir pela ação violenta dos poderosos, nem pela falsa religião, de líderes que são patrocinados pelos poder político, econômico e religioso. A salvação vem do pequeno da periferia de Jerusalém. O magos vão adorar esse novo poder que nasce do pobre (vv. 2.11). Eles são guiados por uma estrela (vv.2.7.9.10), que representa as instituições mais puras e os anseios da humanidade sedenta de paz, justiça, fraternidade. Os poderosos querem eliminar essa estrela, como o rei Saul queria eliminar o rei Davi (1Sm 18,11)

A segunda parte do texto de hoje (vv. 7-12):

Nota-se que enquanto os reis magos estavam em Jerusalém, a estrela havia desaparecida, só reapareceu depois que se afastaram de Herodes e de Jerusalém (vv. 9.10), chegaram a Belém e encontraram o menino (vv. 9.11). O magos vêem “o menino e a mãe” (v.11). (os reis de judá, quase sempre eram apresentados com sua mãe no dia de sua entronização)

O gesto de reconhecimento é acompanhado da oferta do que há de melhor em seus países: ouro, incenso e mirra. O episódio dos reis magos tem referências em Gn 49,10: “... até que os tributos lhe  seja trazido... “  Em Nm 24,17: “... um astro, procedente de Jacó se tornará chefe ...“ Em Mq 5,1-3: “... Porque eis que Iahweh sai de seu lugar santo . . . “ Em Is 49,23: “Reis serão seus tutores, ... aqueles que esperam em mim não serão confundidos.” 60,1-6: “... tua luz é chegada... a escuridão envolve as nações....  as nações caminharão em tua luz, e os reis, no clarão do teu sol nascente. Teus filhos vem de longe. A ti virão os tesouros das nações. Os camelinhos virão a ti trazendo ouro e incenso.

Para Igreja, essas riquezas simbolizam a realeza (ouro), a divindade (incenso) e a paixão de Jesus (mirra).

O texto termina mostrando que o caminho da salvação não passa por Jerusalém, menos ainda tem algo a ver com o aparato político-repressor de Herodes. Os magos voltam para casa por outro caminho. Romperam uma vez por toda com o poder opressor de Herodes.

O texto de hoje vem chamar nossa atenção como Igreja (Pastorais, Movimentos e Conselhos de Comunidades), que é grave engano supor que a salvação e a vida venham dos poderosos. Ao se aliar com eles, a Igreja se torna cúmplice de seus projetos de morte. Os magos, ao tomar rumo novo, apontam para a novidade que nos espera e desafia no campo da evangelização.

O projeto de Deus é para todos e todas (Ef 3,2-3a.5-6): a comunidade que vive a mensagem de Jesus, como Paulo a viveu, torna-se missionário pelo fato de não excluir aqueles que já foram excluídos pela sociedade, aos quais Paulo dedica seu tempo e sua vida.

Pe. José Afonso de Souza

Jacareí, 8 de Janeiro de 2012

Fontes: Projeto Nacional de Evangelização, n°19 - CNBB

             Roteiros Homiléticos, Pe. José Botolini - Paulus

             Bíblia Sagrada, Edição Pastoral - Paulus

             Bíblia de Jerusalém - Paulus

            Sinopse dos quatro evangelhos - Paulus

          

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