Avisos Paroquiais
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O TEMPO JÁ SE CUMPRIU..CONVERTAM-SE

26/02/2012

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA

Gn 9,8 -15/ Sl 24 (25)/ 1Pd 3,18 -22/ Mc 1,12-15

TEMA: “O TEMPO JÁ SE CUMPRIU . . . CONVERTAM-SE!”

Gn 9, 8 -15: “Deus é o nosso aliado na luta pela vida”.

Sl 24 (25): “Do pecado à libertação”.

1Pd 3, 18-22: “Compromisso com o Batismo”.

Mc 1, 12-15: “O tempo já se cumpriu ... convertam-se”. 

Estamos na Quaresma, tempo que nos prepara à celebração da vitória de Jesus sobre a morte, e tempo de conversão. De todos os lados escutamos clamores e a fraternidade não pode deixar-nos indiferentes. “EU ESTAVA DOENTE E VOCÊ CUIDOU DE MIM”. (Mt 25,36), “QUE A SAÚDE SE DIFUNDA SOBRE A TERRA”. (Eclo 38,8). Este é um tempo especial, tempo de graça, que nos faz esperar e agir, pois a última palavra não pertence à morte, mas à vida. Aquele que vai ser crucificado será ressuscitado para que todos tenham vida em plenitude. Deus é nosso aliado na luta pela vida, aliado de toda a criação. A primeira leitura deste domingo situa-se logo após o dilúvio. Com Noé, a humanidade renasce do caos gerado pela violência e pelo mal. Isso nos ajuda a crer que a humanidade pode se salvar do caos, desde que as pessoas pratiquem a justiça.

O dilúvio, símbolo do mal que ameaça destruir o mundo, terminou. A vida recomeça a  partir das pessoas justas, a nova criação, com as quais Deus faz aliança para sempre.

Dessa leitura (Gn) tiramos algumas conclusões: A primeira nasce da constatação de que Deus faz aliança não somente com Noé e seus descendente, mas também com todos os animais da terra que saíram da arca (v. 10), ou seja, com toda a criação. A criação se encontra novamente nas mãos de Deus, como no início (Gn 1 – 2). A segunda conclusão brota do v. 11: “... de tudo que existe, nada mais será destruído...” Deus quer a vida e, por isso, torna-se aliado da humanidade na luta pela preservação da vida, não só das pessoas, mas também da natureza como um todo. A terceira conclusão: se Deus é a favor da vida em todas as suas manifestações, o mal, a destruição e todas as formas de morte não podem ser atribuídas a ele. Quem será então o responsável?

Deus está, para sempre comprometido com a vida da criação. Agora cabe a nós o respeito e a co-responsabilidade na transmissão e preservação da vida.

O arco símbolo da aliança e da guerra, é transformado em instrumento de paz e aliança para a vida. Para o povo da Bíblia, tornou-se símbolo do compromisso divino com a vida.

 “O tempo já se cumpriu... convertam-se!” Os versículos que compõem  o Evangelho deste domingo (Mc 1, 12 -15) podemos dividir em dois momentos:

a) No deserto (vv. 12 -13): A tentação. A partir do Batismo o Espírito Santo leva Jesus para o deserto (v.13). Os quarenta dias e o deserto, não são simples contagem de dias nem lugar geográfico, mas “tempo e lugar teológico” (tempo e lugar para aprender quem é Deus).O povo de Deus passou quarenta anos no deserto, organizando-se, lutando, perdendo e vencendo, até caminhar para a terra da promessa (Ex 16,35). São Marcos abre o baú da memória do povo e ajuda a ver que Jesus vai inaugurar novo e definitivo êxodo, concretizado na sua pregação e prática. Os quarenta dias recordam o tempo que durou o dilúvio, depois do qual surgiu a humanidade renovada na pessoa do justo Noé; lembram também os dias que Moisés permaneceu conquistar no monte para receber a aliança ). Com Jesus tudo recomeça (como com Noé), chega a nós a nova aliança (a antiga veio por Moisés) e aproxima-se a mudança radical (superior à de Elias).São Marcos não revela o conteúdo da tentação sofrida é que ela aparece constantemente na vida de Jesus. Satanás (significa adversário), sistemas e pessoas que se opõem ao projeto de Deus a ser anunciado e realizado na pregação e na prática de Jesus. Os animais selvagens recordam a realidade nova anunciada por Isaias        ( 11,1 – 9). No deserto Jesus é servido pelos anjos, ou seja, é sustentado pelo próprio Deus.

b) Na Galiléia (vv. 14 -15): O mensageiro de Jesus foi preso (João Batista), Marcos (6, 17ss), diz o motivo da prisão e morte de João Batista, ele mexeu com os interesses e privilégios dos poderosos.  Jesus não se deixa amedontrar pelos poderosos, vencendo os mecanismos que geram morte para o povo (1,7). A Galileia é o lugar social onde Jesus inicia sua atividade, Galileia, sinônimo de marginalidade, lugar de gente sem valor e impura, é no meio dessa gente e a partir dela que Jesus anuncia seu programa de vida: “O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo...” (v.5). Depois da sua ressurreição o mestre convida os discípulos a descobri-lo  vivo na Galileia (Mc 16,7) por isso a nossa prática não pode ser diferente da dele, nós que desejamos segui-lo.

A espera da libertação chegou ao fim, Deus está presente em Jesus, atuando seu projeto de vida e liberdade. O caminho de Deus e o caminho dos marginalizados são uma coisa só. “Quem dera rasgasse o céu para descer!” (Is 63,19), essa profecia se realizou com Jesus o céu se rasgou (Mc 1,10), o Deus invisível se tornou gente no meio dos pobres. Fez-se pobre com eles.

Deus tomou a decisão de reinar ( O Reino de Deus está próximo), a realeza de Deus vai tomando corpo através dos atos libertadores de Jesus. O Reino de Deus está sempre próximo também mediante a pratica dos discípulos.

Conversão é sinônimo de adesão à prática de Jesus (convertam-se...). A libertação esperada, o céu rasgado, de nada adiantariam se as pessoas que anseiam por libertação continuassem amarradas aos esquemas que mantem uma sociedade desigual e discriminadora . ( Campanha da Fraternidade: Fraternidade e saúde publica – “Eu estava doente e você cuidou de mim...”      (Mt 25,36).

A segunda leitura (1Pd 3, 18 -22), os cristãos estão passando por duros sofrimentos e perseguições. O versículos de hoje é uma profissão de fé  batismal. “Nós recebemos nova vida pelo Espírito” (v 18b). Essa leitura é uma ponte entre o tempo de Noé e o tempo dos primeiros cristãos. No passado um pequeno grupo, surgindo uma nova humanidade (descida a mansão dos mortos) 

Pe. José Afonso de Souza

Jacareí, 26 de fevereiro de 2012

 Fonte: Bíblia de Jerusalém – PaulusBíblia Sagrada,

Edição Pastoral – Paulus

Roteiros Homiléticos, Pe. José Bortolini – Paulus

Vida Pastoral, Janeiro e fevereiro 2012 - ano 53 – nº 282 – Pe. Johan Konings - Paulus 

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